quinta-feira, 11 de novembro de 2010
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| Dama de ferro |
A Igreja Católica Apostólica Romana desde sempre condenou a prática sexual fora do casamento ou antes dele. Eu pessoalmente acho errado somente se for atrasar a cerimônia...;P A conduta do bom cristão é reservar o coito apenas para fins reprodutivos, dentro de uma união abençoada pela mesma.
Ela sempre se preocupou de maneira exagerada com a santidade da vida humana, ao mesmo tempo interferindo em funções básicas de nosso corpo físico. Segurar a Congregação pelos testículos é uma forma mais eficaz de conseguir lealdade do que fazer os fiéis comerem peixe às sextas feiras.
A Igreja também é contra quaisquer métodos contraceptivos, exceto a castidade, se opondo ao uso de camisinha ou contraceptivo oral. Sua posição a meu ver irresponsável não auxilia em nada a conter a epidemia de AIDS no continente africano ou a explosão populacional dos países do Terceiro Mundo.
A contracepção alternativa, com controle do ritmo da menstruação, prolongar o período de amamentação ou a prática do coitus interruptus são corretos do ponto de vista religioso, mas é uma roleta russa copulatória. A castidade, abstinência e fidelidade no casamento são as formas aceitáveis para controle de epidemias de DST, posição esta criticada até por membros da própria Igreja. Para esta, a difusão do uso da camisinha levaria a um estilo de vida imoral.
" O toque retal minuncioso levou à desconfiança de presença de corpo estranho naquele paciente jovem, bem apessoado, de seus 25 anos. O médico relatou a hipótese diagnóstica, dizendo que teria de aprofundar o exame.
- Precisa de anestesia?
- Não doutor, estou acostumado, pode ir no seco mesmo, retrucou o paciente com uma risadinha.
Ele então começou a procurar mais profundamente, sentido à palpação presença de alguns objetos pontiagudos.
- Achei, a retirada pode ser dolorosa, tem certeza que posso continuar?
Diante da afirmativa, ele conseguiu apreender o objeto e tracioná-lo pra fora. Era uma rosa!!!
- Mas que merda é essa?, perguntou segurando o caule da flor.
- São para o senhor, doutor...disse, virando-se e abrindo um largo sorriso."
A Igreja considera os atos homossexuais moralmente errados, seguindo ordens específicas contidas no Levítico, se não me engano. Ter tendências homossexuais não seria pecado, e sim ceder a estas tendências, não controlá-las.
Trabalhos recentes com uso de ressonância magnética e técnicas térmicas relatam que há diferenças ANATÔMICAS nos cérebros tanto de homossexuais masculinos (nestes seria mais parecido com um cérebro feminino) como de homossexuais femininos(que seriam mais parecidos com o masculino). Isto comprova que este tipo de tendência é estrutural, não há o que se possa fazer em termos de criação ou tratamentos que mudem isto.
Em outras áreas da biologia, inclusive, já se achou um GENE responsável pelo comportamento homossexual em alguns insetos, comprovando sua irreversibilidade. Existe este tipo de comportamento e praticamente TODAS as espécies animais, principalmente vertebrados.
"Na mesma linha a Igreja repudia qualquer reconhecimento legal de uniões de pessoas de mesmo sexo, tendo identificado-os como: teoria obscura, loucura, ataque violento contra a família e o matrimônio tradicional, forma de ofuscar ou suplantar a família, ataque diabólico para eliminar famílias, trangressão, falsa liberdade, etc" Fonte: Wikipédia
Sobre o celibato de padres não tenho o que concordar ou não, pois aí considero que ninguém obriga ninguém a se ordenar ou seguir uma religião, a partir do momento que você a segue, deveria guardar seus preceitos. Mais fácil é: se não concorda, não entre.
E a incidência de pedofilia, que parece ser maior no meio eclesiástico que na população normal? Claro que este tipo de comportamento não é estimulado pelas doutrinas cristãs, a não ser que alguém seja suficientemente imbecil para interpretar erradamente a passagem bíblica do "Vinde a mim as criancinhas, pois a elas pertence o Reino dos Céus..." Uma teoria que faz bastante sentido é de que estes indivíduos são pedófilos em sua natureza, e tentam, ao ingressar para vida na Igreja, reprimir tais sentimentos, fracassando na maioria dos casos.
O que penso a Igreja ter incorrido em crime, dos mais hediondos que se tem notícia, foi o acobertamento destes atos em vários países, em diferentes épocas, havendo inclusive clérigos "especializados" em assumir as paróquias que tinham seus representantes retirados após alguma denúncia. O papa Bento XVI e João Paulo II estão aí e não me deixam mentir...
Notas do autor:
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| Placa de trânsito a ser instalada na saída das escolas e Igrejas. |
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
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| Vida na trincheira. |
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| Lança chamas |
Aproximadamente às 6:30h começou o apocalipse. Parecia que todos os exércitos de todos os 8 círculos do Inferno tinham despertado, o cheiro característico de urina, fezes das vísceras expostas e da latrina, pólvora e desgraça. De minha posição, com o passar do tempo, comecei a ter a impressão que a estratégia não poria fim ao impasse(1). O dia transcorreu, o final da manhã trouxe a primeira leva de feridos, e mesmo assim somente os que tinham alguma chance, os mais graves eram deixados junto aos mortos para terem o mesmo fim. Os soldados eram instruídos a não socorrer colegas feridos, cada um devia cuidar de si até a chegada dos padioleiros.
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| Médicos de campanha |
Me aproximei e constatei, embasbacado que era praticamente uma criança, devia ter uns 12 anos. Após breve ausculta, tentei drenar seu tórax, ele quis falar alguma coisa mas só saíram gorgolejos de sua boca, o sangue vivo brotou da tosse convulsiva e seus olhos vidraram . Puta que pariu, como foi que aquele moleque tinha conseguido se alistar? Provavelmente fugira de casa e mentira a idade. Mal tinha meia dúzia de fios no rosto juvenil, os sonhos de heroísmo detonados por estilhaços. Tirei sua identificação e o pequeno crucifixo que ele tinha no peito, prometi a mim mesmo achar sua família e devolver o que sobrou do seu filho.
Devastado, iniciei depois a evacuação dos feridos para a retaguarda..."
Notas do autor:
(1) A Batalha do Somme, na primeira guerra mundial, foi a maior carnificina da história do exécito britânico. Só em primeiro de Julho de 1916, os britânicos sofreram 57.470 baixas (19.240 mortos). No total foram 1,2 milhão de vítimas (entre mortos e feridos), em cinco meses de combate.
(2) Syrette era como um tubo de pasta de dente em miniatura que continha a morfina. O Syrette tinha uma agulha acoplada ao tubo que era utilizada para perfurá-lo e evitar a superdosagem.
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| Correria |
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| Cemitério do Somme |
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Mudei um pouco a forma de postar, combinando ficção e informação. Não sei se está ficando decente, dêem suas opiniões...
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"- Ouch, filho de uma rameira!!! gritou com toda fleugma britânica.
- Doeu, senhor?
- Eu vou enfiar esses ferros na SUA uretra e o senhor me responde, que tal?
- Desculpe, senhor, esse é o único tratamento conhecido para seu caso.
- Acaba com essa merda logo então, o senhor poderia?
- Certamente, senhor...
Sir Robert de Lancashire definitivamente não gostava de camisinhas, "armadura" que diminuía seu prazer no coito, que ele fazia regularmente tanto nas tavernas de Covent Garden ou com as putas de 6 pence no parque St James. Das opções que tinha, preferia as de linho, que precisavam ser molhadas antes e depois lavadas numa lavanderia de camisinhas( isso existia, acreditem). As outras, feitas com partes do intestino de porcos, eram incômodas e faziam muito volume nos bolsos.
O tratamento das crises de gonorréia (Sir Robert já tinha tido dezessete) era feito com injeção uretral de mercúrio ("Uma noite com Vênus, o resto da vida com mercúrio...") ou nitrato de prata.(1) Para as estenoses(2) de uretra, caso atual, a inserção de sondas de ferro para desfazer as estenoses ou sondas que se abriam em forma de guarda chuva e vinham "raspando" as paredes da uretra na saída eram os disponíveis. (Ui...)
Ele estava tão habituado com a gonorréia que nem se importou com a pequena ferida em seu pênis, ainda mais quando esta teve remissão espontânea ou do aparecimento de máculas por todo corpo algum tempo depois, também com remissão espontânea.(3)
A conexão da sífilis com o ato sexual foi contestado por muito tempo, pois ela aparecia também em religiosos, que não praticavam tal ato.(fim da piada...;P)
Os franceses a chamavam de doença de Nápoles, os alemães de doença polonesa, os espanhóis de doença francesa, e todos com pouco conhecimento geográfico de doença turca. Essa foi a doença com maior "nacionalismo infeccioso" da história. Ninguém pensou em culpar os haitianos e cubanos que tinha divertido a esquadra de Colombo no Novo Mundo.
Sir Robert frequentava regularmente o consultório do urologista, em segredo, claro, para estas deliciosas sessões nos idos de 1790. Por esta época também, os primeiros sinais de sífilis terciária começaram a aparecer, e já se iniciaram com delírios de grandeza:
- O senhor não está descartando seus dejetos, caro marido? Estão amontoados em seus aposentos esterco de vários dias, o cheiro beira o insuportável, nauseante...
- Como assim, sua infiel, aquela é merda sagrada, de um ânus divino, serve para curar dezenas de enfermidades, e a senhora quer que eu a descarte?
- Mas senhor, aquilo é simplesmente fezes...
- Está decidido, levarei-a hoje e oferecerei nos serviços religiosos do Arcebispo de Canterbury, para que haja comprovação dos milagres...
A morte se deu alguns anos depois do episódio da merda sagrada, num asilo de loucos localizado perto da zona do baixo meretrício mais famosa de Londres. Sir Robert caminhava tranquilamente de manhã quando foi acometido por uma dor aguda no abdome e perda da consciência. Causa mortis falência renal por retenção urinária crônica, causada pelas estenoses de uretra de repetição."
Em tempo: A vulcanização da borracha em 1843 fez milagres pela camisinha. Nos anos 20 já eram resistentes e vigorosas. Nos anos 90 do séc XX as camisinhas de poliuretano vieram pra ficar, também resistentes mas mais sensíveis.
Notas do autor: (1) Atualmente a gonorréia ou blenorragia é facilmente tratável com penicilínicos.
(2) Estenose: diminuição da luz ou estreitamento.
(3) Sífilis, doença causada pelo Treponema pallidum, normalmente acomete o ser humano em 3 fases.
Autores recomendados:1) Richard Gordon
2) Mr. Google...;P
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"- Ouch, filho de uma rameira!!! gritou com toda fleugma britânica.
- Doeu, senhor?
- Eu vou enfiar esses ferros na SUA uretra e o senhor me responde, que tal?
- Desculpe, senhor, esse é o único tratamento conhecido para seu caso.
- Acaba com essa merda logo então, o senhor poderia?
- Certamente, senhor...
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| Camisinha de tripas |
O tratamento das crises de gonorréia (Sir Robert já tinha tido dezessete) era feito com injeção uretral de mercúrio ("Uma noite com Vênus, o resto da vida com mercúrio...") ou nitrato de prata.(1) Para as estenoses(2) de uretra, caso atual, a inserção de sondas de ferro para desfazer as estenoses ou sondas que se abriam em forma de guarda chuva e vinham "raspando" as paredes da uretra na saída eram os disponíveis. (Ui...)
Ele estava tão habituado com a gonorréia que nem se importou com a pequena ferida em seu pênis, ainda mais quando esta teve remissão espontânea ou do aparecimento de máculas por todo corpo algum tempo depois, também com remissão espontânea.(3)
A conexão da sífilis com o ato sexual foi contestado por muito tempo, pois ela aparecia também em religiosos, que não praticavam tal ato.(fim da piada...;P)
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| Colombo levou a sífilis para Europa? |
Sir Robert frequentava regularmente o consultório do urologista, em segredo, claro, para estas deliciosas sessões nos idos de 1790. Por esta época também, os primeiros sinais de sífilis terciária começaram a aparecer, e já se iniciaram com delírios de grandeza:
- O senhor não está descartando seus dejetos, caro marido? Estão amontoados em seus aposentos esterco de vários dias, o cheiro beira o insuportável, nauseante...
- Como assim, sua infiel, aquela é merda sagrada, de um ânus divino, serve para curar dezenas de enfermidades, e a senhora quer que eu a descarte?
- Mas senhor, aquilo é simplesmente fezes...
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| A loucura e a sífilis terciária |
A morte se deu alguns anos depois do episódio da merda sagrada, num asilo de loucos localizado perto da zona do baixo meretrício mais famosa de Londres. Sir Robert caminhava tranquilamente de manhã quando foi acometido por uma dor aguda no abdome e perda da consciência. Causa mortis falência renal por retenção urinária crônica, causada pelas estenoses de uretra de repetição."
Em tempo: A vulcanização da borracha em 1843 fez milagres pela camisinha. Nos anos 20 já eram resistentes e vigorosas. Nos anos 90 do séc XX as camisinhas de poliuretano vieram pra ficar, também resistentes mas mais sensíveis.
Notas do autor: (1) Atualmente a gonorréia ou blenorragia é facilmente tratável com penicilínicos.
(2) Estenose: diminuição da luz ou estreitamento.
(3) Sífilis, doença causada pelo Treponema pallidum, normalmente acomete o ser humano em 3 fases.
Autores recomendados:1) Richard Gordon
2) Mr. Google...;P
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Primeira incursão na ficção, peço a quem ler que, se achar uma bosta, ser indulgente com um iniciante. Esse conto é baseado livremente numa lenda urbana que circula desde sempre nos hospitais do Rio de Janeiro, não tenho como saber se realmente aconteceu...
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"Fazia mais de uma hora que ele estava sentado no chão daquela despensa, imóvel, as mãos na cabeça, balançando pra trás e pra frente, numa espécie de catarse induzida pelo choque e pelo ódio. Já tinha gritado, esmurrado a porta, se machucado até, e nada. Ninguém acudia. Do outro lado da porta, já não se ouviam mais os gritos e súplicas de sua mulher e sua filha de 8 anos, nem as palavras pejorativas dos dois assaltantes. Mortas. 'Pelo menos não estavam sofrendo mais...'.
A causa mortis de ambas foi dada como asfixia mecânica, e um sem contar de lesões perfuro cortantes, canivete provavelmente, além de sinais de estupro no laudo do IML. Latrocínio. Nada daquilo fazia sentido pra ele, ele só queria uma única vez mais abraçar suas duas razões de viver, arrancadas de sua vida daquela maneira estúpida, e dizer o quanto elas tinham sido importantes. Não tinha forças mais pra nada.O pouco de sua fé que tinha sobrado estava nas urnas mortuárias, junto com as cinzas.
Nem o apoio dos amigos, nem o trabalho, nem o tratamento psicológico. Ora, onde já se viu preferir colocar a culpa de sua miséria na coitada da sua mãe, ao invés daqueles dois demônios que tinham, num único dia, destruído o que levou anos para ser construído, deixando-o naquele estado, mortificado? 'Vou embora dessa cidade maldita', era o que ele conseguia repetir nas sessões, falando daquela que tinha se tornado uam espécie de Sodoma ou Gomorra pra ele : Rio de Janeiro. Não, não podia continuar morando ou trabalhando naquele inferno, iria procurar uma oportunidade de ir embora, vaga para anestesista era o que não faltava em outras cidades, capitais ou interior do Brasil. Enfim, nada conseguia dirimir seu sofrimento e teve que voltar ao trabalho até achar um lugar pra ir.
Tinha se tornado uma espécie de zumbi, de boneco sem vida cuja única força motriz era o ódio e desejo de vingança . Ia para o hospital, fazia seu trabalho sem uma palavra a mais que o estritamente necessário e voltava no fim de tarde , não antes de ter se aplicado uma generosa dose de fentanil(1), que ia se completar com o uísque e os tranquilizantes, em mais uma noite que passaria fora da realidade, entregue.
Suas feições se contraíram num esgar de raiva quando ele viu aquele paciente entrando em uma maca na sala de cirurgia, fácies de dor, as mãos segurando o abdome como se suas vísceras fossem sair por ali, para realizar uma laparotmia após lesão por PAF(2). Reconheceu nele o ser abominável que o havia mandado para aquele inferno em vida. Sem falar nada, passou o garrote em seu braço, pegou uma veia. Virou-se,pegou as drogas para indução e conectou a primeira( e que seria a única...) no equipo, abaixou perto dos ouvidos do paciente, tirou sua máscara e disse: 'Tá lembrado de mim, filha da puta, de um assalto naquela casa no Alto da Boa Vista, uma mulher e uma menina na casa...lembra?' A cara do outro se encheu de horror ao reconhecê-lo, mas não houve tempo, o anestesista rapidamente injetou o relaxante muscular(3), causando paralisia imediata. Não iria administrar as drogas restantes, aquelas que tirariam sua dor e sua consciência durante a cirurgia.O demônio parecia cochichar em seu ouvido, rindo de tanto prazer...
Entubou-o, colocou-o em ventilação mecânica e virou-se casualmente para o cirurgião com um sorriso no canto dos lábios:'Pode começar...' A incisão veio acompanhada do disparo de alarmes nos monitores, em sua cabeça uma canção maldita que parecia estar sendo orquestrada pelo próprio diabo. Arritmias, taquicardia intensa, pressão arterial nas alturas, o anestesista desabilitou todos os alarmes e respondeu casulamente a pergunta do cirurgião se estava tudo bem 'Tudo ótimo, pode seguir...'
A morte veio provavelmente como um bálsamo para aquele miserável, pouco tempo depois, retirando-o da cruz onde havia sido pregado. O anestesista, durante o procedimento, por algumas vezes ainda chegou perto de seus ouvidos e sussurrou as palavras que tinha ouvido de sua nulher e sua filha naquele dia fatídico.
Tempos depois, decidiu estar entre os vivos não fazia mais sentido. Preparou seu quarto e o soro contendo 1 g de tiopental sódico, o relaxante muscular e o cloreto de potássio(4), conectando então à sua própria veia. Ultimamente, não conseguia nem mais chorar, como se houvesse secado, mas como que adivinhando que aquele momento tinha chegado, seus olhos expeliram a derradeira lágrima de sua vida. A última cena que viu por entre os olhos embaçados foi do garrote em seu braço ser solto, iniciando a infusão..."
Notas do autor:
1) Morfínico potente usado em anestesia, tem como efeitos que podem levar ao vício a euforia, sensação de bem estar, sono.
2) Laparotomia é a abertura da cavidade abdominal, no caso por PAF, projetil de arma de fogo.
3) Droga usada como paralisante, causando relaxamento de toda musculatura, inclusive a responsável pela respiração, o que facilita a cirurgia.
4) Drogas usadas na pena de morte por injeção letal, a primeira causa perda da consciência, a segunda paralisia muscular e a terceira, parada cardíaca.
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"Fazia mais de uma hora que ele estava sentado no chão daquela despensa, imóvel, as mãos na cabeça, balançando pra trás e pra frente, numa espécie de catarse induzida pelo choque e pelo ódio. Já tinha gritado, esmurrado a porta, se machucado até, e nada. Ninguém acudia. Do outro lado da porta, já não se ouviam mais os gritos e súplicas de sua mulher e sua filha de 8 anos, nem as palavras pejorativas dos dois assaltantes. Mortas. 'Pelo menos não estavam sofrendo mais...'.
A causa mortis de ambas foi dada como asfixia mecânica, e um sem contar de lesões perfuro cortantes, canivete provavelmente, além de sinais de estupro no laudo do IML. Latrocínio. Nada daquilo fazia sentido pra ele, ele só queria uma única vez mais abraçar suas duas razões de viver, arrancadas de sua vida daquela maneira estúpida, e dizer o quanto elas tinham sido importantes. Não tinha forças mais pra nada.O pouco de sua fé que tinha sobrado estava nas urnas mortuárias, junto com as cinzas.
Nem o apoio dos amigos, nem o trabalho, nem o tratamento psicológico. Ora, onde já se viu preferir colocar a culpa de sua miséria na coitada da sua mãe, ao invés daqueles dois demônios que tinham, num único dia, destruído o que levou anos para ser construído, deixando-o naquele estado, mortificado? 'Vou embora dessa cidade maldita', era o que ele conseguia repetir nas sessões, falando daquela que tinha se tornado uam espécie de Sodoma ou Gomorra pra ele : Rio de Janeiro. Não, não podia continuar morando ou trabalhando naquele inferno, iria procurar uma oportunidade de ir embora, vaga para anestesista era o que não faltava em outras cidades, capitais ou interior do Brasil. Enfim, nada conseguia dirimir seu sofrimento e teve que voltar ao trabalho até achar um lugar pra ir.
Tinha se tornado uma espécie de zumbi, de boneco sem vida cuja única força motriz era o ódio e desejo de vingança . Ia para o hospital, fazia seu trabalho sem uma palavra a mais que o estritamente necessário e voltava no fim de tarde , não antes de ter se aplicado uma generosa dose de fentanil(1), que ia se completar com o uísque e os tranquilizantes, em mais uma noite que passaria fora da realidade, entregue.
Suas feições se contraíram num esgar de raiva quando ele viu aquele paciente entrando em uma maca na sala de cirurgia, fácies de dor, as mãos segurando o abdome como se suas vísceras fossem sair por ali, para realizar uma laparotmia após lesão por PAF(2). Reconheceu nele o ser abominável que o havia mandado para aquele inferno em vida. Sem falar nada, passou o garrote em seu braço, pegou uma veia. Virou-se,pegou as drogas para indução e conectou a primeira( e que seria a única...) no equipo, abaixou perto dos ouvidos do paciente, tirou sua máscara e disse: 'Tá lembrado de mim, filha da puta, de um assalto naquela casa no Alto da Boa Vista, uma mulher e uma menina na casa...lembra?' A cara do outro se encheu de horror ao reconhecê-lo, mas não houve tempo, o anestesista rapidamente injetou o relaxante muscular(3), causando paralisia imediata. Não iria administrar as drogas restantes, aquelas que tirariam sua dor e sua consciência durante a cirurgia.O demônio parecia cochichar em seu ouvido, rindo de tanto prazer...
Entubou-o, colocou-o em ventilação mecânica e virou-se casualmente para o cirurgião com um sorriso no canto dos lábios:'Pode começar...' A incisão veio acompanhada do disparo de alarmes nos monitores, em sua cabeça uma canção maldita que parecia estar sendo orquestrada pelo próprio diabo. Arritmias, taquicardia intensa, pressão arterial nas alturas, o anestesista desabilitou todos os alarmes e respondeu casulamente a pergunta do cirurgião se estava tudo bem 'Tudo ótimo, pode seguir...'
A morte veio provavelmente como um bálsamo para aquele miserável, pouco tempo depois, retirando-o da cruz onde havia sido pregado. O anestesista, durante o procedimento, por algumas vezes ainda chegou perto de seus ouvidos e sussurrou as palavras que tinha ouvido de sua nulher e sua filha naquele dia fatídico.
Tempos depois, decidiu estar entre os vivos não fazia mais sentido. Preparou seu quarto e o soro contendo 1 g de tiopental sódico, o relaxante muscular e o cloreto de potássio(4), conectando então à sua própria veia. Ultimamente, não conseguia nem mais chorar, como se houvesse secado, mas como que adivinhando que aquele momento tinha chegado, seus olhos expeliram a derradeira lágrima de sua vida. A última cena que viu por entre os olhos embaçados foi do garrote em seu braço ser solto, iniciando a infusão..."
Notas do autor:
1) Morfínico potente usado em anestesia, tem como efeitos que podem levar ao vício a euforia, sensação de bem estar, sono.
2) Laparotomia é a abertura da cavidade abdominal, no caso por PAF, projetil de arma de fogo.
3) Droga usada como paralisante, causando relaxamento de toda musculatura, inclusive a responsável pela respiração, o que facilita a cirurgia.
4) Drogas usadas na pena de morte por injeção letal, a primeira causa perda da consciência, a segunda paralisia muscular e a terceira, parada cardíaca.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Última parte sobre as aventuras etílico-amorosas de nobres colegas de profissão, começo pela situação sem sombra de dúvida em que eu mais ri em minha vida. Hoje prestarei homenagem também aos pudicos Imperadores Romanos mais famosos da História.
Ano corrente de 1995, bucólica e aconchegante cidade de Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro. Pra quem não conhece, Mauá é um lugarejo fundado por hippies, com grande preseça dos mesmos até hoje, visual belíssimo. Num camping qualquer, em duas barracas, muita cerveja Sol e Jose Cuervo, encontravam-se amontoados eu, Einstein(lembram dele?), Nero e Calígula em outra. Lá pelas tantas, Nero consegue arrastar para sua barraca a muito custo uma recatada integrante de uma Igreja Evangélica da região. Após argumentação acalorada, ele consegue iniciar com a mesma o desejado intercurso sexual, quando Calígula, totalmente ébrio, abre o zíper da barraca para dormir. A religiosa então começa uma ladainha de "aimeudeus, aimeudeus..." e Nero consegue convencê-la a ficar, pois o outro já estava praticamente em coma e não iria atrapalhar, e esse foi seu erro... A mesma se deixa convencer e continua com os choques pélvicos e gemidos em sucessão, quando de repente Calígula desperta, pula pra cima do casal dizendo "eutambémquero, eutambémquero...". Ato contínuo, a pobre começa a gritar "Ai Jesus, porque me abandonaste?", põe a roupa de qualquer jeito, consegue se desvencilhar da situação e sair da barraca.
Nesse momento, eu e Einstein saímos de nossa barraca e vemos a seguinte situação: Uma menina seminua, aos berros de aijesus, correndo pelo camping, sendo PERSEGUIDA por Calígula, que tentava inutilmente passar uma banda pra coitada cair. Como Calígula tinha asma de esforço e estava chapado, ela consegue fugir, e este volta em plena crise asmática, procurando sua bombinha salvadora. Eu e Einstein deitados no chão de tanto rir, e Nero puto da vida dizendo: "Porra, esse filha da puta podia pelo menos esperar eu gozar!!!". Cai o pano
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Após um bem sucedido Carnaval em Guriri, partimos eu, Einstein(sempre ele...), Tibério e Marco Antônio para Porto Seguro, farrear mais uns dias e tentar mais alguns pontos no nosso escore de machos-chauvinistas-sem coração (Andréa, se você ler isso, saiba que eu te amo e não sinto a menor falta desta época, você é minha vida agora... ;)). Tibério gostava muito, nos últimos dias de Carnaval, de aproveitar o máximo possível, ficar virado direto sem parar de beber.
Cumprindo esta rotina, quando saímos pra Porto, Tibério desmaiou no banco de trás e permaneceu na mesma posição até o destino. Estávamos sem pousada reservada, então paramos e fomos procurar, só que quem disse que conseguíamos acordar Tibério? Gritamos, sacudimos, jogamos água, cheguei a dar uns tapas bem fortes em sua cara, arrancando gargalhadas dos outros, numa brincadeira maldosa que tínhamos na época reservados para os amigos nessa situação...(rio só de lembrar das porradas, sou imaturo?). Segue-se o diálogo:
Eu: Fecha o carro, larga esse porra aí e vamos procurar, a gente volta rápido.
Einstein: O cara vai morrer sufocado aí...
Eu: Sufocado porra nenhuma, o carro não é completamente vedado, sua besta. Se quiser, deixa uma frestinha aí pro cara respirar então.
Einstein: No cu, não vou facilitar pra bandido roubar.
Eu: faz o que tu quiser então mas vamos então se não a gente vai dormir no carro com esse cretino aí.
Partimos, achamos a pousada e resolvemos beber uma cervejinha, afinal era só uma e Tibério ficaria bem, o máximo que ia acontecer era ele acordar e não saber onde estava. Bom resumo da Ópera: Tomamos 352 cervejas, conhecemos um grupo de nativas bem abertas ao relacionamento, no sentido bíblico da palavra, e só lembramos do carro as 3 da matina. O engraçado dessa história, além dos tapas, foi o DESESPERO que voltamos correndo pro carro, somente para constatar que o pobre Tibério dormia ainda, NA MESMÍSSIMA POSIÇÃO, com o carro todo embaçado. Dessa vez meus tapas surtiram efeito, o cara acordou e fomos dormir...Einstein hoje é ortopedista dos bons, assim como Tibério. Marco Antônio foi meu veterano na anestesia e ainda trabalha e mora no RJ.
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Em outra situação de Carnaval em Guriri(gostávamos muito de lá, fica no Espírito Santo), após a noitada voltamos pro hotel exaustos. César e Augusto eram dois irmãos enormes, muito fortes mas absolutamente pacíficos, odiavam briga. César inclusive foi campeão juvenil brasileiro de judô e foi cotado pra ir para Olimpíada de 1988, naquela época era também faixa preta de jiu jitsu, é anestesista hoje e foi meu companheiro de plantão durante um bom tempo. Augusto não era tão grande, mas era tão alto quanto César, 1,98 mais ou menos, então dá pra imaginar os dois numa altercação mútua...não sobraria nada em pé, talvez nem as paredes.
Voltamos então para o hotel e César, meio bêbado, disse que estava se sentindo mal, provável gastroenterite aguda causada pelo álcool mais os dois xis-tudo que ele havia consumido em apenas quatro dentadas. Foi ao banheiro e evacuou copiosa e sofridamente, deu pra escutar os gemidos e imaginar o suor frio e as jugulares dilatadas. Depois tomou banho e foi deitar. Na manhã seguinte fui acordado pela discussão fortíssima dos dois, achei que era o Armagedon. Chamei mais 2 colegas e conseguimos separar os brigões. Indaguei então os motivos. Augusto contou que César, bêbado na noite anterior, não achando papel higiênico no quarto, havia se limpado com a toalha de rosto, pendurado de volta com a freada virada pra dentro ( o tradicional "código de barro"), e Augusto só percebeu a artimanha quando foi enxugar o rosto. Imaginem o resto da cena...
Bom gente, vou ver se encontro algum assunto sério pra falar no próximo post, pra variar um pouco.
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| Vale do Alcantilado, em Mauá |
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| Nero em desespero... |
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| Ahhh Porto Seguro... |
Cumprindo esta rotina, quando saímos pra Porto, Tibério desmaiou no banco de trás e permaneceu na mesma posição até o destino. Estávamos sem pousada reservada, então paramos e fomos procurar, só que quem disse que conseguíamos acordar Tibério? Gritamos, sacudimos, jogamos água, cheguei a dar uns tapas bem fortes em sua cara, arrancando gargalhadas dos outros, numa brincadeira maldosa que tínhamos na época reservados para os amigos nessa situação...(rio só de lembrar das porradas, sou imaturo?). Segue-se o diálogo:
Eu: Fecha o carro, larga esse porra aí e vamos procurar, a gente volta rápido.
Einstein: O cara vai morrer sufocado aí...
Eu: Sufocado porra nenhuma, o carro não é completamente vedado, sua besta. Se quiser, deixa uma frestinha aí pro cara respirar então.
Einstein: No cu, não vou facilitar pra bandido roubar.
Eu: faz o que tu quiser então mas vamos então se não a gente vai dormir no carro com esse cretino aí.
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| Neste carro embaçado dorme uma pessoa feliz... |
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| Praia em Guriri... |
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| Código de Barro |
Bom gente, vou ver se encontro algum assunto sério pra falar no próximo post, pra variar um pouco.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Bom, nem só de trabalho e estudo vive o homem, então deixei pra esse segundo post algumas historinhas que vi ocorrer na minha faculdade e residência durante férias e carnavais. Nunca dei vexame por causa de bebida, o máximo que eu fazia era dar carinho e amor praquela pobrezinha em final de noite que ninguém queria. Sempre fui resistente pro álcool e sei a hora de parar. Os envolvidos aqui terão seus nomes resguardados por motivos óbvios, atualmente são médicos e chefes de família respeitáveis do Rio de Janeiro.
Numa Oktoberfest qualquer chegamos da noitada e um grande amigo que chamarei aqui de Einstein tinha desaparecido. Fomos dormir e no dia seguinte ao meio dia nada do cara. Comecei a ficar preocupado e ligar para hospitais e delegacias e nada. Daí umas 2 horas Einstein aparece com um cheiro horrível e desaba na cama. Dormiu até as 9 da noite, acordou como se nada houvesse e foi tomar banho para sairmos de novo. Perguntei o que tinha acontecido e Einstein não se lembrava de nada, tinha tomado Buscopan e misturado com álcool na véspera (o verdadeiro Boa Noite, Cinderela) e não lembrava do que tinha feito.
Bom, saímos então pra noitada e logo ao chegar no Pavilhão de Blumenau, entramos numa lojinha de lembranças. De repente um grupo aponta para o Einstein e grita: "Ih, alá o maluco do ônibus..." Todos chegam perto da gente pra saber como ele estava e tal, era um grupo de Curitiba(aliás, parabéns às curitibanas pela beleza...). Lógico que fiquei curioso e perguntei o que tinha acontecido, resumo das Ópera: Einstein, desnorteado pela mistura maléfica, tinha ido para um ônibus do pessoal de Curitiba, daqueles que ficam parados em Blumenau e seus passageiros dormiam no próprio ônibus, tentou agarrar em vão umas 2 ou 3 meninas e depois de fracassar, simplesmente vomitou em dois bancos e dormiu em cima, acordou no dia seguinte com odor de um urubu, saiu e pegou um ônibus de volta para o hotel. Testemunhas juram que ele ainda agarrou uma, digamos, nativa da região antes de ir embora...COM AQUELE CHEIRO!! Esse cara era foda...E o que é pior, em um Carnaval anos depois ele repetiu o feito, misturou sem querer a bebida e o remédio, se perdeu, passou andando pelo hotel e foi desmaiar num milharal a 2 KM, e voltou de carona com a bicicleta do entregador de pão, fedendo e cheio de mato e formigas pelo corpo. Saudade de você cara, quando for ao Rio vou te visitar...
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Outro grande amigo, Openheimer(hoje grande ortopedista do Rio...), estava há meses tentando, digamos, levar ao leito uma linda donzela, sem sucesso. De tanto insistir, conseguiu, marcou tudo, ansiedade em alta. Antes ele passou numa festa de aniversário na Lagoa, começamos a tomar Red Label. Lá pelas tantas, já torto, foi embora com a dama e dias depois encontrei com ele e perguntei se tudo tinha ido bem. Ele me contou o que se segue: Openheimer levou a madame a um motel e chegando lá, pelo efeito do álcool, não conseguiu desenvolver toda sua potência (palavras dele:"Tava meio duro meio mole feito massa de risole..."). Decepcionado, ele levou a senhora para Hidro, esperando que isso o animasse. Ele então vomitou dentro da hidro, com a mulher e tudo. Após momentos de constrangimento e muito papo, tomaram banho e voltaram pra cama. A menina então começou a fazer um striptease pra ele e essa foi a última coisa que ele se lembra, acordou no dia seguinte às 2 da tarde, a dona tinha ido embora, claro. Desnecessário dizer que ela nunca mais atendeu suas ligações...
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Em um Congresso de estudantes de Medicina em Salvador, estava Openheimer com uma nativa, num lugar aberto e verde do Campus aonde estávamos empilhados em barracas. Estava perto de uma árvore quando passa outro colega, Freud, totalmente bêbado. Como Openheimer já sabia do que ele era capaz, se afastou um pouco com a moça e viu Freud subir na árvore. Preocupado, ficou olhando pra ver se ele ia cair. E não é que Freud, hoje excelente urologista, se despe no alto da árvore e digamos, evacua lá de cima igual a um pombo!! Openheimer começa a gargalhar e a moça foge correndo, nunca mais foi vista...
Aliás Freud tinha a mania inexplicável de se despir quando bebia demais, ele conhece delegacias pelo Brasil inteiro...
Numa Oktoberfest qualquer chegamos da noitada e um grande amigo que chamarei aqui de Einstein tinha desaparecido. Fomos dormir e no dia seguinte ao meio dia nada do cara. Comecei a ficar preocupado e ligar para hospitais e delegacias e nada. Daí umas 2 horas Einstein aparece com um cheiro horrível e desaba na cama. Dormiu até as 9 da noite, acordou como se nada houvesse e foi tomar banho para sairmos de novo. Perguntei o que tinha acontecido e Einstein não se lembrava de nada, tinha tomado Buscopan e misturado com álcool na véspera (o verdadeiro Boa Noite, Cinderela) e não lembrava do que tinha feito.
Bom, saímos então pra noitada e logo ao chegar no Pavilhão de Blumenau, entramos numa lojinha de lembranças. De repente um grupo aponta para o Einstein e grita: "Ih, alá o maluco do ônibus..." Todos chegam perto da gente pra saber como ele estava e tal, era um grupo de Curitiba(aliás, parabéns às curitibanas pela beleza...). Lógico que fiquei curioso e perguntei o que tinha acontecido, resumo das Ópera: Einstein, desnorteado pela mistura maléfica, tinha ido para um ônibus do pessoal de Curitiba, daqueles que ficam parados em Blumenau e seus passageiros dormiam no próprio ônibus, tentou agarrar em vão umas 2 ou 3 meninas e depois de fracassar, simplesmente vomitou em dois bancos e dormiu em cima, acordou no dia seguinte com odor de um urubu, saiu e pegou um ônibus de volta para o hotel. Testemunhas juram que ele ainda agarrou uma, digamos, nativa da região antes de ir embora...COM AQUELE CHEIRO!! Esse cara era foda...E o que é pior, em um Carnaval anos depois ele repetiu o feito, misturou sem querer a bebida e o remédio, se perdeu, passou andando pelo hotel e foi desmaiar num milharal a 2 KM, e voltou de carona com a bicicleta do entregador de pão, fedendo e cheio de mato e formigas pelo corpo. Saudade de você cara, quando for ao Rio vou te visitar...
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| Se for transar, não beba |
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| Cuidado com o pombo... |
Aliás Freud tinha a mania inexplicável de se despir quando bebia demais, ele conhece delegacias pelo Brasil inteiro...
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| Se beber demais procure um hospital... |
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